segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Rio vs Santana, ou a zanga das comadres.

O debate entre as duas comadres zangadas, cada uma delas representante das mais importantes facções actuais do PSD, veio confirmar aquilo que eu já esperava: nada de ideias para o País, nada de Política na sua expressão nobre, apenas cada uma delas afirmando ser a melhor escolha para combater a maioria de esquerda da Assembleia e apresentar-se, sem o demonstrar, como aquela que os militantes devem eleger para líder do partido. Santana, experiente nestas lides, optou pela política rasteira, de facção populista, acusando o adversário de traidor ao partido, apresentando imagens e referindo factos como provas acusatórias comprometedoras para Rio, no papel de conspirador com os inimigos do partido e da Pátria. Rio, muito verde, surpreendentemente impreparado, balbuciava palavras de negação, de defesa, apenas desferindo umas leves estocadas de “trapalhadas”, assunto que não foi capaz de desenvolver quando o seu interlocutor lhe perguntou quais eram. E seria tão simples referir algumas, a começar pelo discurso de posse, aparentemente escrito por Dias Loureiro, o qual, segundo as palavras de José António Saraiva no Expresso, foi “o pior discurso que algum primeiro-ministro deve ter pronunciado no acto de posse“. Portas não sabia dos Assuntos do Mar, Bagão Félix não sabia da Administração Pública; Teresa Caeiro, dias antes, ainda não sabia qual a Secretaria de Estado que lhe iria calhar. De trapalhada em trapalhada, demonstrando que não tinha mão no partido, na sequência da saída de Marcelo da TVI e para proteger Gomes da Silva, um dos maiores detractores e propulsionadores da pressão que levou à saída de MRS, passa-o para Ministro Adjunto, despromovendo o seu amigo Henrique Chaves, que, indignado, se demitiu, acusando “grave inversão dos valores e da lealdade“, provocando um estrondo tal, que foi a gota de água para Jorge Sampaio – era tão simples dizer qualquer coisa destas!...

Mas ainda o que mais me desgostou, foi ver que Rio, ao ser-lhe exibida por Santana, a fotografia na Associação 25 de Abril com Vasco Lourenço, não soube (ou achou que o não deveria fazer?) perguntar ao seu adversário se a defesa dos valores do 25 de Abril constituem uma traição para o PSD.

Enfim, mas longe vão os tempos em que Rio tecia rasgados elogios ao seu amigo do peito, (contra as palavras à época de MRS, “hiperdecisório” , “muito intuitivo e pouco coordenado”, “que tende a ter decisões múltiplas ao longo do tempo”), como tendo “mais consistência do que a imagem que têm dele” e sendo uma pessoa com “seriedade, lealdade e frontalidade”, uma “sensibilidade social que muitos militantes do PCP e do Bloco de Esquerda não têm.” Mudam-se os tempos… Ah! sede de poder, a que obrigas!...


Este debate leva-me a concluir (mas sem qualquer entusiasmo) que António Costa pode continuar descansado - a direita não tem figura minimamente capaz de disputar com ele umas legislativas e o lugar de Primeiro Ministro. E já que continua com a esquerda no bolso, totalmente amarrada ao acordo parlamentar, estou tentado a dizer que continuaremos a ter mais do mesmo por bastante tempo: a mesma política austeritária disfarçada sob uma maquilhagem de grande demagogia e de um hipócrita discurso de estado social. A economia de casino habitual, o mesmo terrorismo incendiário, a total vassalagem a Bruxelas. 

Os cães ladram… e a caravana passa…

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